Um ciclo Olímpico se fecha e outro já se inicia. Desta vez apenas três anos separam Tokyo de Paris. Entre surpresas e decepções a essência do esporte nunca esteve tão presente como nos jogos de “2020” marcando ainda mais na história.

Não foram apenas 17 dias “diferentes” pelos tantos protocolos sanitários e a ausência da grande massa nas arquibancadas na maioria das sessões que fizeram falta da abertura ao encerramento.

Sabemos que a atmosfera não é a mesma sem o grande público presente nas arenas.

Apesar disso, a tecnologia aliada aos novos hábitos e formatos de consumir esporte nos proporcionou conhecer um pouco mais dos bastidores do dia a dia de ícones globais através das redes sociais, o que também foi trouxe uma experiência diferente e mais imersiva aos fãs.

Em relação às disputas, alguns fatos inesperados causaram forte impacto na comunidade esportiva. O caso da ginasta americana, Simone Biles, que deixou as finais das competições por equipe mostram não só o lado humano de uma vida de atleta como tamanho da parcela do lado psicológico no rendimento esportivo.

Sendo a favor ou contra, a decisão dá sinais de resiliência e trabalho em equipe. É sobre entender o seu papel em cada momento. Nem sempre é “em campo” que se contribui.

Houve também medalha de ouro em dose dupla. Mutaz Barshin, do Qatar, e Gianmarco Tamberi, da Itália, travaram um duelo e tanto no salto em altura e estagnaram nos 2.37m. Ambos em entraram em acordo com o árbitro da prova e dividiram a medalha de ouro, o que não acontecia desde 1912.

Há quem não concorde com a medalha dividida, mas ela ilustra o Olimpismo na mais pura essência, herdada ainda dos Jogos Olímpicos da Antiga Grécia que pregavam desde sempre a união, respeito a regras e os adversários, além do “Importante não é vencer, mas competir. E com dignidade”.

A participação do Brasil em Tokyo foi digna e contabilizou recorde com 21 medalhas no total. Foram seis de ouro, seis de prata e oito de bronze. Tivemos o primeiro surfista a vencer uma bateria com Ítalo Ferreira e também sua medalha de ouro. A “Fadinha” Rayssa, aos 13 anos de idade, levou a prata no skate street.

Rebeca Andrade foi a primeira brasileira a conquistar uma medalha na ginástica artística, de quebra com um ouro e uma prata. A judoca Mayra Aguiar também escreveu seu nome como pioneira a ser medalhista em três edições diferentes dos Jogos com seu terceiro bronze no peito.

Teve ainda a medalha inédita no tênis feminino de duplas: Luisa Stefani e Laura Pigossi fizeram as malas para o Japão no apagar das luzes e cravaram a histórica terceira colocação.

E diversos outros feitos. Ficamos com gosto de quero mais.

Nunca houve momento tão propício para investimento privado no esporte.

A representatividade, a diversidade, o alcance e o conhecimento de modalidades não só as mais novas nos jogos, mas como outras mais tradicionais mostram que mesmo em meio a tantas dificuldades conseguimos nos superar.

Não falta gente, não falta dom, não falta espaço, não falta clima, não falta vontade, ou seja, os elementos essenciais.

Estamos em ascensão sim, mas ainda falta investimento, visibilidade, oportunidades e iniciativas para aproveitar ainda mais o legado que a década de ouro para o esporte no Brasil com os mega eventos nos deixou.

Passada a euforia da comemoração dos feitos, será fundamental mirar na frente para somarmos forças para usufruir da infra estrutura, conhecimento e mão de obra qualificada que construímos desde o Pan do Rio de Janeiro lá em 2007.

Por fim, não podemos esquecer da medalha de ouro do Comitê Olímpico Brasileiro fora dos ringues, tatames ou quadras. O Brasil não teve nenhum caso de Covid em sua delegação durante os Jogos, proporcionando potência máxima as equipes e atletas que puderam desempenhar de forma plena para chegar à inédita posição 12 no quadro geral de medalhas.

Já podemos começar a trabalhar de novo.

À bientôt, Paris!