Sob o tema “Fifa Master no Mercado”, o quinto painel do dia no IX Seminário Gestão Esportiva reuniu grandes executivos do mercado esportivo no palco do Centro Cultural da Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro. E a tônica do bate-papo, além das apresentações das empresas de cada um, girou em torno da importância do networking, das relações pessoais geradas por um curso como esse, que é considerado o melhor mestrado do mundo na indústria do esporte.

“Essa é uma indústria de relações pessoais”, disse Carlos Eduardo Ferreira, o Cadu, CEO da SISU Venture Partners, reforçando a temática do networking.

O painel foi conduzido por João Frigerio, Diretor Executivo do Fifa Master Alumni, que é a associação de ex-alunos do Fifa Master. E além de Cadu, contou com Andrés Cardenas (Chefe Global de Futebol da MinuteMedia) e Leo Lederman (CEO Brasil da GRM Marketing).

Frigerio deu mais detalhes sobre o curso, ele falou principalmente sobre como funciona a organização dos mais de 500 formados de mais de cem nacionalidades.

Números do Fifa Master Alumni:

  • 507 membros, com mais 28 alunos se formando em 2019
  • 104 nacionalidades, com mais 2 adicionadas em 2019
  • Presença em mais de 80 países
  • Mais de 85% dos formados trabalham na indústria do esporte
  • Mais de 90% dos ex-alunos estão conectados pelas redes sociais e pelas plataformas do Fifa Master Alumni

“Um dos objetivos do Fifa Master Alumni é dar suporte ao programa do Fifa Master. E também conectar os membros. A comunidade de ex-alunos do Brasil é, seguramente, a mais ativa do mundo. E eu sendo brasileiro tento levar sempre as ideias daqui para lá e digo que os exemplos daqui tem que ser seguido por todos no mundo”, disse Frigerio.

Segundo o Diretor Executivo, um ponto importante que deve ser salientado é que as pessoas, quando pensam em fazer um mestrado como esse, desejam trabalhar com esporte, num clube, numa federação, numa liga ou em algum evento esportivo. Mas tem muito mais do que isso.

“Aqui no nosso painel, tem gente que trabalha em atividades que nem existiam quando o Fifa Master foi criado”, disse João Frigerio.

A partir deste momento, Frigerio passou a comandar uma entrevista com os três convidados do painel, que apresentaram suas empresas.

SISU Venture Partners

O primeiro a falar foi Carlos Eduardo Ferreira. Formado no Fifa Master, ele voltou ao Brasil para empreender e fundou a empresa Golden Goal, em 2004. Em 2011, vendeu o controle da empresa para a britânica CSM, com a qual entrou nos grandes eventos como Copa do Mundo e Jogos Olímpicos. E recentemente, em 2018, numa operação estruturada em conjunto com a WSquare Capital, a empresa foi recomprada e passou a se chamar SISU Venture Partners, uma holding que tem em seu portfólio inicial as empresas Golden Goal, Feng e Be Interactive.

“A gente trabalha como uma empresa estruturadora de negócios e projetos. Não é uma agência, apesar de a gente também fazer trabalhos de agência. Trabalhamos com clubes. A Feng, por exemplo, é uma empresa que faz os maiores projetos de sócio-torcedores do Brasil, como Flamengo, Vasco, Santos. Fazemos a venda das dez mil cadeiras da WTorre no Allianz Park, do Palmeiras. A Golden Goal trabalha com projetos de grandes empresas, como Ipiranga, Embratel e Claro. Nos Jogos Olímpicos de 2016 fizemos projetos que até fogem do escopo do esporte. Montamos a Heneken House, aqui no Rio. Na Copa do Mundo de 2014, nós fizemos a loucura de assumir toda a operação de alimentos e bebidas do evento, em doze estádios, com vinte mil funcionários”, lembra Cadu.

Relações pessoais

Ao falar sobre o mercado e a importância do Fifa Master em sua carreira, Cadu fez questão de focar nas relações pessoais. Tanto em termos de oportunidades de negócios quanto em amizade com ex-colegas de turma.

“Tenho grandes amigos e criamos uma relação, porque passamos três meses num país, três em outro. E acabamos nos unindo. Quando eu me casei, doze anos atrás, noventa por cento da minha sala, de dezessete nacionalidades, estava na festa. Estou formado há dezesseis anos e nos encontramos todos os anos. E conforme o grupo de formados vai aumentando e maturando, a gente vai encontrando as pessoas e os negócios vão surgindo. Como membro do Fifa Masters, você meio que faz parte de uma família. Não tem um país que eu vá que não exista alguém que tenha feito o Fifa Masters e que a gente não possa conversar. E dessas conversas, muitas vezes, pode surgir um negócio”, afirmou Cadu.

Novas tecnologias

Na sequência, Andrés Cardenas, Chefe Global de Futebol da MinuteMedia, falou sobre a startup que criou: uma empresa de tecnologia de mídia que produz e distribui conteúdos de uma forma mais rápida que os concorrentes.

“Cuido dessa parte de storytelling e branded content. Ajudamos clubes e ligas a produzir conteúdo digital para o futebol. Sendo que a gente foca no novo torcedor, para que empresas e clubes ativem seus patrocínios e ativem esses torcedores mais jovens. Quando fiz o Fifa Master, em 2004, não existia nem smartphone. Eu vim de um setor de governança, de trabalhar em empresas muito grandes, corporativas, com poder decisório bem centralizado e burocrático. E hoje eu trabalho numa startup. O ritmo é muito intenso, muda todos os dias, e você tem todo o poder de decisão. É isso que me motiva”, diz Andrés.

Marketing de experiência

Já Leo Lederman, que é advogado e fez o Fifa Master em 2010, trabalha hoje como CEO Brasil da GRM Marketing. E falou um pouco de sua atuação na indústria do esporte atualmente.

“É uma empresa global de marketing de experiência, que a cada dois anos praticamente triplica de tamanho, por conta de Copa do Mundo e Jogos Olímpicos. No Fifa Masters tive contato com duas pessoas que já trabalhavam na GRM Marketing. E que foram fundamentais para eu entender a empresa e entrar nela. É uma empresa que tem um foco muito grande em experiências no esporte. No momento, por exemplo, já estamos totalmente voltados para os Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020”, contou Lederman.