Os clubes da Série A do Campeonato Brasileiro aumentaram em nada menos que 42% o seu faturamento com programas de sócios-torcedores nos últimos cinco anos, com uma média de 9% de crescimento anual no período. Os dados foram divulgados no início deste mês de novembro de 2019 pela Feng Brasil, empresa especializada em projetos de engajamento de fãs e gestão dos programas de fidelidade. Em números absolutos, os clubes faturaram R$ 390 milhões só em 2018 com essa modalidade.

Programas de sócios-torcedores aumentam público nos estádios

O estudo sobre o faturamento com programas de sócios-torcedores foi feito pela Feng com base em balanços oficiais dos clubes entre 2014 a 2018. E mostra, também, que esse crescimento também gera um aumento na média de público do Brasileirão, com um acréscimo de 13%. No período, essa média passou de 16.537 em 2014 para 18.821 em 2018. Na edição deste ano do campeonato, o Flamengo, líder da média de público, costuma ter a maioria composta pelos sócios-torcedores (69%).

De acordo com a Feng, Corinthians, CSA, Cruzeiro e Fortaleza não disponibilizam em seus balanços oficiais a receita com sócios-torcedores. Portanto, o levantamento feito entre 2014 e 2018 traz os dados dos 16 clubes restantes da Série A, que publicam as informações.

Mais vantagens para os torcedores

De acordo com André Monnerat, gerente de Negócios da Feng Brasil, os clubes estão procurando oferecer vantagens não apenas nos programas de sócio-torcedor, mas também na estrutura dos estádios e no processo de compra de ingresso.

André Monnerat, gerente de Negócios da Feng Brasil

“Hoje é mais frequente um torcedor que se dispõe a gastar regularmente com o clube para estar no estádio”, explicou Monnerat, em um artigo publicado em seu perfil no LinkedIn.

Esta receita com mensalidades representou 7,7% dos pouco mais de R$5 bilhões que os 20 clubes da Série A do Brasileirão tiveram de receita total. Mas há clubes em que este percentual é bem maior, como é o caso dos gaúchos Inter (22%) e Grêmio (19%), pioneiros em dar foco na construção desta fonte de renda.

“Vale dizer que, no caso dos dois clubes gaúchos, o sócio-torcedor é também sócio estatutário, com direito a voto; em grande parte dos clubes há uma separação entre os programas comerciais, que dão benefícios nos ingressos, e os estatutários, que dão direito a participar das eleições e frequentar a sede. Nestes casos, a renda que entra nas contas deste levantamento é apenas a do sócio-torcedor”, explicou o gerente.

Divisão das receitas nos clubes

As receitas dos clubes, de acordo com a Isto É, são derivadas atualmente de contratos com empresas para a venda dos direitos de transmissão, acordos de material esportivo e patrocínios. O chamado segmento B2B. Na sequêcia estão os rendimentos B2C, oriundos de vendas diretas ao consumidor final. E no ano de 2018, os R$ 390 milhões arrecadados com os programas de sócios-torcedores ficaram muito próximos do total faturado com bilheteria, que foi de R$ 417,5 milhões.

Para o gerente da Feng, a receita gerada pelos sócios-torcedores tem algumas vantagens em relação ao que se fatura em bilheteria. Isso se dá porque se trata de uma receita recorrente, que entra todos os meses, mesmo quando os jogos param no período de férias.

“Em boa parte dos planos, os sócios não só pagam mensalidades, mas também compram seus ingressos, com desconto. Fidelizados, eles aumentam sua frequência no estádio e contribuem para o crescimento da média de público. O crescimento de sócios acaba também tendo impacto positivo na bilheteria. É o que acontece com o Flamengo, que lidera a média de público do Brasileirão e costuma ter a maioria de seu público composto pelos sócios-torcedores: no jogo contra o Atlético Mineiro, por exemplo, na 24ª rodada, eles foram 73% dos mais de 60 mil pagantes no Maracanã. O crescimento de sócios acaba também tendo impacto positivo na bilheteria”, escreveu Monnerat.

Espaço para crescimento

Além disso, o levantamento aponta que os programas de sócios-torcedores ainda têm muito campo para evolução em comunicação e nos canais de divulgação. Além de investimento em mídia, na eficiência do fluxo de conversão online, na plataforma de meios de pagamento, no desenvolvimento de novos canais de venda e no acompanhamento dos indicadores.