Desde o Penta, em 2002, o qual completou seus 20 anos neste 30 de junho, o Brasil amarga decepções em Copas do Mundo. Naquele tempo, a seleção tinha Ronaldo, a principal estrela, vista como uma incógnita quanto ao seu desempenho, após duas gravíssimas lesões nos joelhos.

E havia uma pressão popular fortíssima, como de praxe, após desempenho instável nas Eliminatórias e trocas consecutivas de treinadores.

A equipe possuía média de idade considerada jovem, de 26.2 anos, porém com atletas já experientes como Cafú, Rivaldo e Edilson, os únicos com mais de 30 anos, além de Ronaldo e Roberto Carlos, mais rodados, que haviam sido vice campeões quatro anos antes. Novos nomes somariam forças e brilhariam no futebol global como Kaká, ainda novato, e Ronaldinho Gaúcho viria ser decisivo já na competição.

Passado tanto tempo, o time do Brasil deve contar com um plantel de perfil parecido com o da expedição em solo asiático. Na última convocação de Tite tinha ponto de equilíbrio no fator idade, em 25,8 anos, e passando por um processo de renovação com destaque para Vini Jr, Paquetá e Raphinha. Eles somam aos remanescentes de 2018, “cascudos”, como Alisson, Thiago Silva e Casemiro.

Por outro lado, a geração 2022, se viu invicta nas Eliminatórias com a melhor campanha da história do torneio no modelo de pontos corridos.

Mas, há um paralelo aí. Quase um “Déjá vu” quanto à incerteza quanto ao desempenho do seu principal nome. Após duas décadas, Neymar Jr, passa por momento delicado. Apesar de situação distinta a do Fenômeno, que lutava pela sua saúde e para voltar a jogar meses antes, o craque da atualidade não vive grande fase em campo e tem, aparentemente, sua imagem desgastada em Paris dentro e fora do seu vestiário.

A nossa principal referência não consegue ser regular nas últimas temporadas e não inspira confiança para parte da torcida brasileira.

Pois é, Neymar, no auge dos seus 30 anos você já conquistou muito. Mas não tudo. Te falta a cereja do bolo: a Copa do Mundo. Esse provavelmente será seu último Mundial.

O sonhado prêmio individual seria uma consequência de um desempenho fenomenal.

Se pudesse lhe dar um humilde conselho: ao fim das férias de verão europeu, independentemente da camisa que você estiver vestindo, Neymar: faça como se você tivesse no juvenil do Santos. Seja um avião em campo e esteja em “modo avião” fora dele. Mande um abraço aos seus “parças”, “influencers”, “gamers”, ou qualquer atividade que possa atrapalhar teu foco: a taça.

Diga que só volta a estar “ON”, em dezembro, e de medalha no peito.

Vai ser mais saboroso. Você pode.

Entre em cada partida como se fosse a última.

Cuide da sua alimentação e do seu sono. Contrate os melhores fisioterapeutas, fisiologistas, nutricionistas. Use e abuse da infra estrutura e o acesso que você tem, o que milhares de jovens sonham em ter.

Que você sonhava em ter.

Viva os próximos cinco meses como se fossem os teus últimos.

Depois você volta ao futvôlei, ao free fire, ao sambinha.

Assuma o controle remoto do teu jogo: Off-line.

Esteja em plena forma e mostre ao mundo teu verdadeiro jogo.

Romário superou a desconfianças em 1994.

Ronaldo em 2002.

Depende de você querer ser o Neymar Jr no fim deste ano.

Por fim: Isole-se para se isolar numa galeria seleta de nomes do esporte mundial.

Para sempre.