Na semana do Dia Internacional de Luta pelos Direitos da Mulher, o Insper Sports Business realizou uma pesquisa para homenagear duas das principais figuras femininas no esporte brasileiro: Maria Esther Bueno e Marta Silva, ícones que se destacaram de forma ilustre em suas modalidades – Maria no tênis e Marta no futebol – dando esperança e orgulho para toda uma nação feminina que não via futuro e crescimento em áreas predominantemente masculinas. Por meio desses dois ícones brasileiros e mundiais, trazemos neste artigo uma análise da presença das mulheres no esporte.

Uma das melhores tenistas da história

Maria Esther Bueno nasceu em 1939, em São Paulo, e faleceu em 2018, tendo conquistado 19 Grand Slams – torneios com as maiores pontuações e premiações do circuito do tênis – entre simples, duplas e mistas. No entanto, apesar do enorme êxito desportivo, os ganhos financeiros da tenista em sua profissão não são nem de perto comparáveis com os de tenistas homens que possuíam o mesmo nível de pontuação que ela na mesma época, já que nem na casa do milhão de dólares ela conseguiu chegar.

Nascido um ano antes, na Austrália, Rod Laver conquistou 20 títulos de Grand Slams, acumulando um patrimônio de US$ 20 milhões. 

Nesse sentido, é possível perceber que a falta de visibilidade das mulheres no esporte naquela época já afetava o faturamento mesmo das maiores jogadoras do mundo, fazendo com que meninas que aspirassem a seguir uma carreira no esporte se vissem muitas vezes desincentivadas devido não somente à falta de reconhecimento, mas também à baixa remuneração em comparação aos homens.

Mulheres no futebol: a maior jogadora de todos os tempos

Marta Silva, maior artilheira entre homens e mulheres na seleção brasileira, ganhou seis vezes o título de melhor futebolista do mundo, sendo cinco delas consecutivas. Atualmente, a brasileira tem 36 anos e atua com a camisa da Seleção Brasileira, representando o país em diversos campeonatos, mesmo 22 anos após iniciar sua carreira, com apenas 14 anos, no Vasco da Gama. 

Se comparada com o outro melhor do mundo que também possui seis Bolas de Ouro no futebol, o argentino Lionel Messi, que recebe um salário anual de US$ 41 milhões, Marta fica muito atrás em termos financeiros: a jogadora recebe um total de US$ 4,8 milhões por ano, totalizando pouco mais de um décimo da remuneração do jogador do Paris Saint-Germain.

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Mulheres no esporte

No entanto, embora a estrada a ser percorrida rumo a uma maior igualdade de visibilidade e remuneração entre homens e mulheres no esporte ainda seja longa, conquistas recentes fazem com que o Dia Internacional de Luta pelos Direitos da Mulher de 2022 possa ser celebrado com a esperança de que tempos melhores virão. 

Luta contra o machismo no esporte e pela equiparação financeira

No dia 22 de fevereiro deste ano, a Federação Americana de Futebol comunicou ter chegado a um acordo com as atletas que moveram um processo junto à organização exigindo uma remuneração compatível com a dos atletas masculinos. Além de uma indenização de US$ 24 milhões a atletas como Megan Rapinoe, Alex Morgan e Becky Sauerbrunn, a federação se comprometeu a remunerar de forma igualitária as seleções masculina e feminina em todos os amistosos e competições futuras, incluindo Copas do Mundo. 

Tal decisão fortalece não somente as futebolistas norte-americanas, mas também atletas praticantes de outros esportes em outros países, pressionando demais federações e autoridades a tomarem medidas que busquem equilibrar os recursos destinados às categorias masculinas e femininas.

Além disso, o aumento na remuneração da seleção americana pode dar início a um ciclo virtuoso no futebol feminino: demais federações que desejem continuar competitivas deverão a partir de agora considerar uma remuneração que se equipare à das atletas daquele país, incentivando assim suas jogadoras a percorrerem o extra-mile para se sagrarem campeãs. Dessa forma, poderíamos estar vendo um aumento generalizado no nível do futebol feminino, valorizando o produto e aumentando sua visibilidade.

O futuro ainda é incerto e o machismo no esporte ainda existe com força. Mas o fato é que a notícia traz a esperança de que o ano de 2022 possa ser o marco de uma nova era para as mulheres no esporte. 

Por Ana Clara Torres e Isabella Defeo.