As grande equipes esportivas no mundo, seja no futebol europeu ou no basquete norte-americano, por exemplo, têm uma fonte de receita que consideram altamente estratégica e fundamental: o chamado “matchday”. Trata-se de toda a renda gerada pelas atividades que envolvem uma partida. Entre elas estão a bilheteria, os camarotes, bares e restaurantes, entre outros. Especialistas do setor no Brasil apontam que o país já realiza algumas boas ações, mas ainda tem muito a explorar para alcançar o verdadeiro potencial financeiro desse tipo de atividade.

Feng Brasil

Especializada em projetos de engajamento de fãs, a Feng Brasil, que faz parte da SISU Ventur Partners, vem explorando bem esse mercado. A empresa é responsável pelos programas de sócio-torcedor de Flamengo, Santos e Vasco e pela venda de season tickets do Allianz Parque, estádio do Palmeiras.

Em entrevista o site da revista Exame, André Monnerat, Head de Negócios da Feng Brasil, alguns fatores apontam o crescimento do “matchday”. Mas o executivo não deixa de alertar que ainda há espaço para melhoras.

André Monnerat, Head de Negócios da Feng Brasil

“As arenas mais novas, a evolução nos processos de venda de ingressos e o crescimento dos programas de sócio-torcedor contribuem para o aumento da frequência dos torcedores mais fiéis. Alguns movimentos também foram feitos para gerar receita pela venda de produtos dentro dos estádios. Hoje, são comuns, por exemplo, termos copos especiais de cada jogo à venda. No entanto, ainda é possível melhorar na comunicação dos jogos e na produção deles como verdadeiros eventos. É preciso melhorar os serviços e a atmosfera para gerar no público uma propensão maior a consumir lá dentro”, afirmou Monnerat.

Premier League

Maiores experts do mundo nesse tipo de atividade, os norte-americanos têm pouca tradição no futebol e um campeonato, ainda, pouco badalado. O exemplo a ser seguido no esporte mais popular do planeta, de acordo com a Exame, é a Premier League (Campeonato Inglês). De acordo com o site da revista, a competição tem receitas acima de US$ 700 milhões anuais arrecadados. Segundo a publicação, na Inglaterra, os níveis de ocupação dos estádios beiram os 100%. O percentual se assemelha ao da Bundesliga (Campeonato Alemão), que também apresenta números expressivos.

O matchday do Fortaleza

O artigo da Examee cita um exemplo desenvolvido no Brasil pelo Fortaleza, que vem buscando alternativas para lucrar mais com os dias de jogos. O clube cearense lançou no início deste ano o projeto “Experiência Tricolor”, que foi criado dentro do conceito do matchday.

O programa oferece um “dia de torcedor” para turistas e visitantes da cidade. E tem três tipos de planos, com direito a um par de ingressos para o jogo do dia, um tour pela Arena Castelão e até uma camisa do clube. Além de transporte entre hotel e estádio.

“Em grandes cidades de Europa ou dos Estados Unidos, na própria rede de hotéis eles oferecem um pacote completo para o turista com comodidade e segurança em um bom local e nós replicamos esse modelo. A cidade de Fortaleza é muito turística e muitos gostam de futebol, querem ir ao estádio acompanhar uma partida”, disse Marcelo Paz, presidente do Fortaleza, à Exame.

O exemplo do Lyon

Outro exemplo de sucesso, desta vez de volta à Europa, é o do Parc Olympique Lyonnais, estádio do Lyon que já recebeu grandes eventos como a Eurocopa de 2016. Por lá, o torcedor tem uma experiência completa, com três zonas que se dividem em um espaço familiar com brinquedos especiais para crianças, um palco com atrações musicais, restaurantes e um parque que conta com futebol 5 x 5 e cerveja pong. Além disso, o clube francês oferece informações como estatísticas e vídeos enviados em tempo real no celular do torcedor. Ele também pode comprar comida ou produtos desde seu assento, por meio de um aplicativo.

Cultura esportiva

De acordo com o artigo da Exame, “a indústria do esporte e do entretenimento se profissionalizou nos últimos 10 anos como um todo no Brasil. Mas é preciso ainda mais da parte do clube, dos parceiros comerciais e dos gestores do esporte. Mas, principalmente, é preciso desenvolver a cultura no brasileiro, que, por questões diversas, como logística difícil, ainda estão acostumados a chegar em cima da hora do evento esportivo. Todos vão ganhar”.

A afirmativa que fecha o texto da revista reforça uma opinião dada pelo jornalista Marcelo Barreto em entrevista ao Sport Insider.

“O brasileiro se empolga na hora dos Jogos Olímpicos, nos Jogos Pan-Americanos, e depois larga os esportes. Então, eu acho que tem um caminho aí nesse encontro de esporte e cultura e esporte e educação”, disse Barreto.