Sabemos que o futuro do mercado de games é muito promissor. Os eSports estão, cada vez mais, sendo explorados para grandes negócios, por grandes organizações, e a indústria não para de crescer. Esse artigo trata de como isso ocorre no Brasil, falando dos gamers brasileiros e muito mais.

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O mercado de games no Brasil

Segundo a Newzoo, empresa holandesa de pesquisa e análise de dados em jogos e esportes eletrônicos, o mercado de games no Brasil é bem forte. A expectativa é de fechar o ano de 2021 movimentando quase U$ 2,3 bilhões em receita, com mais de 94 milhões de players dentre uma população online de mais de 160,1 milhões de pessoas. Isso nos tornaria a 12ª nação no mundo mais relevante por receita de jogos.

Atualmente, estamos na 13ª colocação do ranking mundial de receita no mercado de games, mas aparecemos em 1˚ lugar para a América Latina. Em números absolutos de gamers, o Brasil fica entre as três maiores nações, com pouco mais de 81 milhões, atrás apenas de China e Estados Unidos.

O perfil dos gamers brasileiros

Segundo o report de 2021 divulgado pela Siuox Group e Go Gamers, denominado “Pesquisa Game Brasil”, 72% dos brasileiros costumam jogar jogos eletrônicos. Entre os gamers, 78,9% joga como principal forma de diversão e entretenimento, quase que diariamente, com uma média de 8 a 20 horas por semana.

O público principal de gamers no Brasil é bem dividido entre homens e mulheres, com uma leve vantagem para o público feminino.

As principais características do público, em relação à sexo, faixa etária e classe social, são:

  • Sexo: Feminino (51,5%)
  • Faixa etária: 20-29 anos (41,1%)
  • Classe social: B (39,4%) e C (38,8%)

Vale destacar que os brasileiros tem o costume de realizar a compra de jogos e/ou dentro dos jogos. Quase metade do público total (44,9%) realiza alguma transação financeira para se manter atualizado, por dentro do que acontece no ambiente de jogos eletrônicos, mas principalmente inserido em sua comunidade online.

Qual a plataforma mais usada para games?

O smartphone é a plataforma usada pela grande maioria dos gamers brasileiros, devido ao preço e possibilidade de se conectar a qualquer momento. A portabilidade dos smartphones permite o consumo de entretenimento onde quer que esteja, seja jogando ou assistindo conteúdos de interesse. Por isso, pode-se dizer que as maiores oportunidades do mercado de games brasileiro estão no mobile.

Com relação às plataformas mais usadas, temos:

  • Smartphones (47%)
  • Consoles (29%)
  • PCs (22%)
  • Outros (2%)
Pexels Rodnae Productions

eSports

Quando o assunto é eSports, 64,3% do público gamer brasileiro já ouviu falar sobre. Desse grupo, 20,5% assiste algum tipo de conteúdo relacionado a eSports. Em média, isso ocorre ao menos uma vez por semana, por 3 horas.

No geral, 13% da população brasileira online assiste e/ou acompanha conteúdo relacionado a games regularmente. A audiência proporcionada pelo público do Brasil em transmissões internacionais nos coloca, mais uma vez, em destaque: o “português” é o 3˚ idioma mais presente nas transmissões de eSports. Esse ponto pode estar diretamente relacionado ao crescimento exponencial do público brasileiro, que cresce 15% ao ano desde 2018.

Oportunidades

No Brasil, as marcas começaram a entender as oportunidades de negócios por meio dos games, seja com investimentos de longo prazo, em forma de patrocínios, ou pontuais, simplesmente para passar a mensagem de que estão atentos ao mercado. É interessante analisar caso-a-caso os investimentos feitos em gamers, equipes e eventos. As empresas estão sempre em busca de novas formas de se conectar com seus consumidores, e os eSports trazem novos canais de mídia e diferentes tipos de conteúdo.

“O projeto da Netshoes começa em 2017, querendo vincular a sua marca junto aos esports, principalmente da modalidade de emulador de esporte, nesse caso o futebol pelo jogo FIFA. A Netshoes inicia a sua jornada focada no futebol virtual porque ela entendeu que haveria uma conexão com o seu próprio e-commerce, onde conseguiria caracterizar tanto as partidas, quanto os atletas dentro do jogo com os produtos de seu site.

Desde o início do projeto a marca amadureceu, e após união com a Magalu perceberam que os esportes eletrônicos poderiam se comunicar como um todo, e não apenas por ter correlação direta entre o futebol virtual e o que era vendido. Hoje existe a percepção de que qualquer público gamer pode consumir produtos pelo site da Netshoes, e tanto os atletas de League of Legends quanto os de Free Fire, que possuem um alcance gigantesco de mídia, também podem gostar de esportes e comprar pela plataforma, o que permite você sair desse nicho de correlação direta para ir ampliando a estratégia da marca como um todo.

Portanto, nos quase 5 anos de parceria, vejo que cada vez mais estão avançando com a plataforma nesse mercado gamer e a marca tem se solidificado na área em relação a estratégia de branding, já que a Netshoes hoje é conhecida fortemente na comunidade de eSports, pelo seu alto nível e desempenho jogando durante todo esse período.”— Marcelo Fadul, CEO da Netshoes Miners.

Reprodução Netshoes Miners

Assim como é o caso da Netshoes Miners, outras empresas brasileiras também possuem equipes próprias, como a Vivo e Havan. Mas o investimento não para por aí, entendem que o investimento em mais de uma equipe e em streamers fazem parte de uma estratégia mais ampla, buscando diversos pontos de contato com o público em formatos de mídia diferentes.

Até empresas de segmentos mais “tradicionais”, como os bancos, começaram a ver os eSports como uma oportunidade de relacionamento com o público. O rejuvenecimento da marca é um dos pontos mais relevantes, e se desenvolve a partir de acordos de patrocínio com as celebridades dos games e equipes que saibam criar conteúdo para entregar mensagens da melhor maneira possível para seus fãs.

O relacionamento com os gamers brasileiros é crucial

O crescimento dessa indústria no Brasil é consequência do trabalho árduo e constante de grandes nomes do cenário nacional e internacional de eSports, como: Gaules, Fallen, Yoda, brTT, Nobru, Babi, Cherrygumms e tantos outros. Todos esses grandes influenciares sabem que, dentro dos esports, não é apenas o desempenho que conta, mas também a maneira de se relacionar com a sua audiência.

A geração de conteúdo interessante dentro da linguagem e da comunidade gamer, a criação de laços verdadeiros, para que o público se engaje em causas, e a geração de oportunidades para todos os envolvidos, tem como consequência o fortalecimento do mercado de games no Brasil.