Quem ama futebol e tem uma conta no Instagram, muito provavelmente, não passou imune ao perfil @quejogada. Com mais de 1,1 milhão de seguidores, a conta é uma das mais famosas do Brasil na área. E consegue dezenas de milhares de curtidas a cada vídeo postado, além de um altíssimo engajamento nos comentários. Criado e tocado por Felps e seu sócio Phill, o projeto se tornou um case de empreendedorismo no esporte.

Phill (à esq.) e Felps em um dos estádios da Copa do Mundo da Rússia, em 2018

Conversamos com o Felps, que, antes de empreender, trabalhou com marketing esportivo em grandes empresas, como a Golden Goal, uma das empresas que compunham a CSM Brasil, hoje SISU Venture Partners. Ele falou sobre como começou sua carreira no mundo corporativo e como a veia empreendedora o fez correr atrás de seus próprios projetos.

Confira o papo!

Você já trabalhou com marketing esportivo. Qual é a sua formação e por onde você passou?

Sim, sou formado em propaganda e marketing pela ESPM e comecei estagiando no mercado esportivo em 2011, em uma agência multinacional chamada Armosia Brasil. Na época, atendíamos a TIM, com a inovação de patrocínios estampados dentro do número nas costas dos uniformes dos times. Lá fui efetivado e ganhei bastante bagagem em ativação e gestão de patrocínio. Depois, me dediquei um tempo a um projeto no Instagram que se chamava @instarquibancada, que hoje está desativado. Mas falarei dele depois!

Meu maior desafio com o marketing esportivo veio no fim de 2013, quando recebi a oportunidade de trabalhar numa grande referência do mercado: Golden Goal Sports Venture, que me contratou para a área gestão de patrocínio, onde eu atendia a gigante BRF, especialmente no patrocínio de Sadia à Seleção Brasileira, visando a Copa do Mundo no ano seguinte, no Brasil, e posteriormente o patrocínio aos Jogos Olímpicos do Rio em 2016. Foi uma grande experiência, pois trabalhei no mesmo ambiente com grandes profissionais, que acabaram me inserindo em outras áreas e com outros grandes clientes do mercado.

Sai da Golden Goal em 2015, para dar foco exclusivo ao meu projeto paralelo, o @quejogada!”.

Como surgiu a ideia do @quejogada? Desde sempre a ideia era criar conteúdo próprio e ganhar dinheiro com isso?

Para falar do @quejogada eu preciso voltar e falar do @instarquibancada, que surgiu em 2012 e foi criado pelo meu sócio Phill. Ele sempre curtiu torcidas e é um frequentador assíduo das arquibancadas. Na época, eu ainda estava na Armosia e seguia o @instarquibancada. Meu trabalho era diretamente relacionado com ativações e eu sentia falta de inovações nessa área.

Quando sai da Armosia, procurei o Phill, a quem eu não conhecia na época, e fiz uma proposta para transformarmos o @instarquibancada num projeto rentável. Ele topou e nós juntamos nossos know-hows para atrair grandes empresas. A conta foi de 5 mil para uns 30 mil seguidores em poucas semanas, o que na época era muito bom. Conseguimos lucrar bem com o projeto. As marcas estavam achando na gente aquela inovação que eu não achava quando estava do lado de lá. A confiança das agências conosco aumentou e em 2013 consolidamos o @instarquibancada com a chegada da Copa das Confederações. Porém, algumas coisas aconteceram, como a Lei do Concurso Cultural e a atualização da plataforma do Instagram com vídeos, e as marcas começaram a nos deixar, pois a identidade do projeto, àquela altura com 80 mil seguidores, era foto e texto. As marcas também adoravam ativar com concurso cultural. E a nova lei deixou tudo mais difícil.

Com isso, resolvi criar o @quejogada e usar o nosso banco de seguidores do @instarquibancada para ir crescendo. Foi rápido! Nossa meta era ter 100 mil seguidores em um ano. Conseguimos isso em cinco meses. De lá pra cá, a gente vem escrevendo nossa história não só no Instagram mas também no Youtube, Facebook, Ttwitter e outras plataformas.

Quais são as melhores práticas para quem quer ganhar dinheiro com conteúdo nas redes sociais ou no Youtube? E quais as principais particularidades de cada plataforma?

Bom, no Instagram já foi mais simples essa matemática. Essa rede social, para mim, é a mais completa de todas. Todo mundo está lá e obviamente há muita gente fazendo todo tipo de coisa. Está difícil inovar em conteúdo. Mas costumo dizer que antes de começar algo é necessário estar claro: o que você quer fazer ali; para quem e como você vai fazer. Depois disso, o resto do caminho é dedicação. E o mais importante, networking! O @quejogada cresceu demais com networking, principalmente. Outras páginas, profissionais de agências, grandes empresas, jogadores, entre outros. Todos tiveram uma parcela no crescimento. Se você é diferenciado e tem isso do seu lado, eu diria que o caminho é menos dolorido.

No Youtube, eu diria que o caminho é semelhante, porém ainda nos consideramos no inicio do caminho. Começamos tarde, mas trabalhamos até acertar os quadros. Hoje, temos o Papo Clubista como um dos sucessos e outros quadros bem divertidos. Espero que de certo lá também!

Em qual das duas plataformas vocês investem mais tempo e qual dá mais retorno?

O Instagram tem um investimento de tempo diário. A parte mais difícil é a curadoria. Ainda é a plataforma que dá mais retorno comercial por conta das publicidades. Mas viramos a chave e hoje o Youtube consome um bom tempo nosso. Uma vez por semana temos gravações, com três a cinco vídeos por gravação. E depois tem a edição com nossa equipe e a preparação para o vídeo ir ao ar. Hoje estamos com dois videos por semana. Mas assim que chegarmos a 100 mil inscritos, a ideia é aumentar para três. No Youtube o retorno ainda é baixo.

O @quejogada é o único trabalho de vocês hoje? Ou você e Phil têm projetos paralelos, seja juntos ou separados?

Hoje estamos 100% focados no @quejogada e em breve teremos nosso app! Mas o Phill é um grande sócio e eu não descartaria outros negócios com ele.

O projeto de vocês acaba tendo muito de empreendedorismo. Você, que veio do mercado, se imaginava empreendendo? E como você vê o empreendedorismo no meio esportivo?

Eu sempre tive isso na veia. Sempre tive uma cabeça empreendedora. Acho que é de formação acadêmica e de casa também. O empreendedorismo em qualquer meio é positivo né? Isso faz o mercado. Não seria diferente no esporte. Os grandes eventos vieram e muitas coisas novas apareceram. É um legado bom! E no Brasil já se percebe um aumento dos nichos: das pessoas que buscam qualidade de vida no esporte; da galera dos e-games; do público da tecnologia;. dos amantes de times que viram sócios-torcedores. Enfim, o esporte é uma indústria e é explorado pelas mentalidades empreendedoras!

Você e o Phil assumem abertamente os clubes pelos quais torcem. Como isso funciona, tanto na hora de fechar uma parceria com uma marca quanto ao lidar com os torcedores mais fanáticos?

Sou Cruzeiro e ele é Fluminense. Assumimos abertamente há uns três anos. Hoje conseguimos lidar melhor. Entendemos que futebol mexe com os nervos e eu inclusive já sofri ameaça mais de uma vez trabalhando em estádio. Mas é melhor deixar pra lá! Sobre parcerias, normalmente como somos dois que torcem para times diferentes. Por isso, conseguimos dar um jeito.

O perfil de vocês é totalmente voltado pro futebol. Seja profissional, futsal, pelada, etc. Vocês têm vontade de trabalhar com outros esportes?

O Phill acho que não. Mas eu já trabalhei e pratiquei outros esportes. Eu gosto! Principalmente tênis, futebol americano, vôlei e basquete. Uma das grandes experiencias que eu tive no @quejogada foi de descer a corredeira do Parque Radical de Deodoro, montado para canoagem slalom dos Jogos Olímpicos do Rio 2016. A GE me convidou e foi sensacional!

Para se trabalhar na indústria esportiva, na sua opinião, o que é mais importante: amar o esporte, ter uma boa bagagem acadêmica ou construir um bom networking? Ou os três juntos?

É uma química né? Um pouco de tudo. Mas depende da área. Na minha, dos três fatores listados, se não tiver o primeiro, provavelmente você não sente o que o público sente e talvez não seja capaz de entregar o que deve ser entregue. O segundo mais importante é o networking. De tudo que a faculdade me deu, o networking foi a maior parte!

Para finalizar, que conselho você daria para dois tipos de pessoas: o estudante que quer seguir a carreira mais corporativa e trabalhar com marketing esportivo e a pessoa que, como você, quer empreender fazendo conteúdo próprio na web?

Minha formação foi com professores de mercado, que me deram networking e me colocaram no mercado. Mas isso não bastaria. Sempre fui pró-ativo e sempre me interessei por tudo. Não segui carreira em agência, mas não fechei portas! Resolvi trabalhar com o meu negócio pois acreditava e ainda acredito nisso. Se você está começando e quer seguir carreira corporativa, pegue algumas referências. Procure profissionais da área para conversar. Se inscreva em eventos como palestras da área e conheça pessoas. Sua oportunidade sempre virá por intermédio de outras pessoas. As pessoas precisam, as pessoas buscam e as pessoas contratam! O mercado é uma grande vitrine de profissionais e quem vai atrás de profissionais precisa ver em você o diferencial para poder “comprar”. E para quem quiser empreender, saiba que não é o caminho mais fácil. É difícil igual. E é preciso ter organização, determinação e acreditar! Se você não acredita, quem é que vai? E pra finalizar: faça muito networking!