Em 2020, o Sport Insider vai lançar um curso exclusivo e inédito, com o objetivo passar uma visão de dentro do mercado esportivo pra quem tem interesse em atuar numa das indústrias mais fascinantes e que mais cresce no Brasil. Neste curso, que será online e está em fase final de produção dos módulos, experientes executivos das empresas da SISU e da Barões Digital Publishing – empresa responsável pelo desenvolvimento do Sport Insider – discutirão estratégias com dicas práticas para iniciar e desenvolver com sucesso uma carreira no mercado esportivo. E hoje vamos soltar um spoiler: um papo do Paulo Henrique Ferreira, o PH, com o jornalista Eduardo Tironi, que falou sobre sua trajetória e sobre como vê as transformações no jornalismo esportivo desde o início de sua carreira até hoje.

Quase três décadas no mercado

Com quase 30 anos de carreira e passagens pelo Lance! e pelo canal de TV ESPN, Tironi é hoje um dos jornalistas mais respeitados do segmento no Brasil.

“Comecei a trabalhar em 1992, na era pré-internet, quando, na verdade, os lugares onde um jornalista podia estar, basicamente, eram jornal, TV e rádio. Virei jornalista especialmente por três motivos: eu era achava bastante curioso. Adorava ler jornal, coisa que gosto de fazer até hoje. E gostava basicamente de música e futebol. Então, eu queria ser um jornalista em alguma dessas áreas”, conta Tironi.

Primeiro emprego

Em seu primeiro emprego, Tironi começou justamente em uma das áreas que gostava. Entrou para a editoria de esportes do jornal Notícias Populares. Passou de repórter a editor e acabou atuando em outras frentes, como Variedades e Cidades. Pelo mesmo jornal, foi cobrir a Copa do Mundo de 1998, na França, e acabou chamando a atenção do mercado.

“Voltei para o esporte depois que eu fui cobrir a Copa. Nessa época eu conheci muita gente. E acabei sendo chamado para trabalhar no Lance! Lá foi o lugar onde eu mais trabalhei na vida, foram onze anos (2001 a 2011). Eu tinha trinta anos na época e pense: “daqui não vou sair mais. Vou fazer minha carreira dentro do jornalismo esportivo”. Foi naquele momento em que eu determinei que era ali que eu trabalharia. Posso até fazer outras coisas, misturar outras áreas com o esporte. Mas não consigo me imaginar muito fazendo alguma coisa fora do esporte”, revela o jornalista.

Parceria no Lance!

No Lance!, Tironi foi editor executivo e esteve ao lado de PH Ferreira no começo de um processo que levou o Lancenet! ao seu período de maior crescimento, chegando a mais de 100 milhões de pageviews/mês no site e mais de 70 milhões de pageviews/mês no L!Mobile. Números alcançados entre 2013 e 2014 e que, na época, tornavam o grupo líder em audiência no segmento de esportes em suas respectivas plataformas (web e mobile).

Após 11 anos no Lance!, Tironi foi para a ESPN, onde atuava como editor-executivo na redação de São Paulo e comentarista esportivo dos programas Linha de Passe, Bate Bola e Sportscenter. No canal de TV ficou até agosto de 2019, quando a emissora desligou vários profissionais de seus quadros, por conta de uma reformulação. 

Projetos atuais

Arnaldo, Juca, Tironi e Mauro no podcast “Posse de Bola”

Desde de 30 de setembro, Tironi é o âncora do podcast “Posse de Bola”, no portal Uol, onde tem ao seu lado na bancada outros dois jornalistas que sairam da ESPN na mesma leva: Juca Kfouri e Arnaldo Ribeiro, além de Mauro Cezar, que ainda faz parte do mesmo canal de TV.

Além disso, entre outros projetos, Tironi comanda desde outubro um canal no Youtube ao lado de Arnaldo Ribeiro. Com apenas dois meses de atividades, o espaço já conta com mais de 36 mil assinantes e quase um milhão de visualizações em seus vídeos. 

Novos formatos de conteúdo

Depois de um ciclo de 11 anos trabalhando num grande jornal e mais quase oito anos numa emissora de TV, Tironi hoje está muito voltado para o mundo digital. E com números relevantes. Além do crescente sucesso de seu recém-criado canal no Youtube e da grande audiência do podcast no Uol, o jornalista é muito atuante no Twitter, onde tem mais de 230 mil seguidores.

Arnaldo e Tironi em um dos vídeos do canal da dupla no Youtube

“A indústria do esporte é gigantesca. Nós, jornalistas, estamos nesse meio. E estamos de um jeito diferente do que já foi. Podemos ter alguma notoriedade, alguma relevância. Mas hoje você tem uma competição feroz contra milhares de agentes, que podem ser até mesmo estudantes com um canal na internet com muita visibilidade, por exemplo. Hoje a gente está numa floresta em que poucos conseguem colocar a cabeça para fora e falar: “olha, estou aqui”. É uma batalha muito dura, muito difícil, muito feroz. Mas eu prefiro um mundo em que a gente tenha muitas possibilidades do que um mundo em que você tenha poucas e precisa batalhar muito para aparecer um pouquinho. Hoje o campo é grande. Mas, ainda assim, você precisa ser um bom jogador para aparecer”, avalia o jornalista.

Visão do mercado

No papo com PH Ferreira, Tironi também falou um pouco sobre como vê o mercado de jornalismo hoje. E deu sua visão crítica sobre o que pensa ser os anseios de muitos jovens que querem entrar nessa indústria.

“Antes, você trabalhava num jornal, entrevistava um jogador e no dia seguinte as pessoas liam seu texto no jornal. Não existia nenhuma troca. Hoje isso é muito diferente. Os próprios agentes do esporte, os jornalistas esportivos, deixaram de ser jornalista para serem personagens do esporte, com uma relevância que talvez ele não tivesse antes. E por esses agentes terem hoje uma certa notoriedade, algumas vezes exagerada, em muitas oportunidades o jornalismo como missão é deixado de lado no mundo em que a gente vive hoje. Você pode perguntar para um estudante: ‘o que você quer fazer?’. E ele te dizer: ‘eu quero ser comentarista e sentar na bancada do Linha de Passe’. Isso é jornalismo? De certa forma é. Mas isso é a maior coisa do jornalismo? Certamente, não. Jornalismo é contar histórias, descobrir histórias, incomodar poderosos. Isso é a essência da profissão. E é algo que está um pouco esquecido no jornalismo esportivo. Muitos estudantes hoje sonham em ser o comentarista ou narrador. Falar na televisão o que achou do jogo. Isso é uma parte do jornalismo. Mas certamente não é a mais nobre”, diz Tironi.

Como entrar e se destacar na carreira

Como gancho na análise de Tironi sobre o mercado, PH Ferreira lembra de outro aspecto: o enorme campo de trabalho que existe para profissionais no backstage, algo que muita gente deixa de lado por sonhar apenas em estar à frente das câmeras. O Diretor da Barões lembra que necessários são vários profissionais, das mais diversas especialidades, para colocar no ar um portal como o Sport Insider, ou mesmo um programa de mesa redonda como os da ESPN. Tironi concorda e dá dicas para quem quer entrar nesse mercado.

“Para que as coisas funcionem, o que tem que acontecer no backstage disso? Por trás do palco. Quantas coisas precisam ser feitas? Quantos profissionais precisam arregaçar a manga para fazer um grande portal funcionar, por exemplo? Isso é fundamental. Isso também é trabalhar com conteúdo. É cuidar de conteúdo. Sem necessariamente ser o cara que está ali na frente diante das câmeras. Você vai ser um cara melhor na frente das câmeras se você souber como as coisas funcionam por trás das câmeras. É muito legal você entender das táticas e comentar se um time está no quatro-quatro-dois ou em outro esquema. Mas eu tenho certeza que um comentarista que já foi repórter de campo, que já entrevistou jogadores na beira do campo, que já ouvi técnico bravo, que já viu torcida jogar pedra em jogador, que conhece o ambiente verdadeiro do esporte, esse cara vai ter mais condições de falar com mais propriedade sobre o esporte. Quem gastou sola de sapato, sendo repórter, fazendo coisas difíceis, certamente tem muita bagagem para fazer coisas legais no ar”, aconselha o jornalista.

Fique de olho no Sport Insider, pois em breve divulgaremos mais detalhes sobre o exclusivo e inédito curso que estamos preparando para quem deseja entrar no mercado esportivo!