No último dia 7, o Chelsea FC confirmou que chegou a um acordo para a venda do clube ao grupo liderado pelo empresário norte-americano Todd Boehly, coproprietário do Los Angeles Dodgers, tradicional time da Major League Baseball (MLB). Após meses de negociação e uma verdadeira corrida pela aquisição do clube, Boehly venceu a disputa com uma proposta recordista na história de aquisições de clubes esportivos. O valor total da negociação será de £ 4,25 bilhões (US$ 5,22 bilhões).  

Apesar da confirmação do tradicional clube inglês, o acordo de compra ainda precisará ser aprovado pela Premier League e pelo governo do Reino Unido. O Chelsea tem até 31 de maio para concluir a venda, data em que se encerrará a licença temporária cedida pelo governo britânico, mas a expectativa é de que o magnata norte-americano seja aprovado como novo dono dos Blues antes do encerramento da Premier League. O clube jogará a sua última partida na competição no dia 22 de maio, contra o já rebaixado Watford. 

Corrida pela aquisição

O Chelsea está à venda desde que o governo do Reino Unido decidiu aplicar uma série de sanções ao antigo proprietário, Roman Abramovich, devido aos vínculos e ao apoio do oligarca ao governo de Vladimir Putin, como represália à invasão da Ucrânia pela Rússia. Os Blues foram forçados a operar sob os estritos termos de uma licença temporária, que expira no dia 31 de maio, prazo limite estipulado para a venda. A pressão política e as consequências das sanções para o clube e para a sua torcida forçaram o desejo de uma venda rápida por todos os envolvidos. 

O processo de venda do clube foi liderado pelo banco norte-americano The Raine Group, que chegou a selecionar quatro consórcios como principais candidatos para comprar o Chelsea. Entre os candidatos vencidos por Boehly e seus parceiros estavam o empresário britânico Sir Martin Broughton – juntamente com Josh Harris e David Blitzer, proprietários do Philadelphia 76ers, da NBA, e do New Jersey Devils, da National Hockey League, – e um consórcio liderado por Stephen Pagliuca, coproprietário do Boston Celtics, da NBA, e dono do clube de futebol Atalanta, da elite do campeonato italiano.  

Além do consórcio liderado pela família Ricketts, dona majoritária do Chicago Cubs, da Major League Baseball, que se retirou oficialmente da corrida em meados de abril. O grupo optou por não apresentar uma proposta final para o clube, afirmando que os consorciados seriam incapazes de chegar a um acordo sobre a composição final de sua oferta. “No processo de finalização de sua proposta, ficou cada vez mais claro que certas questões não poderiam ser abordadas devido à dinâmica incomum em torno do processo de vendas”, declarou o grupo.  

Tentativa de “chapéu”  

Apesar do acordo entre Boehly e o clubes inglês ter sido concretizado apenas uma semana depois do empresário ter se tornado o candidato preferido na corrida pela compra do Chelsea, o norte-americano quase levou um “chapéu” nos últimos dias do mês de abril. O bilionário britânico Jim Ratcliffe tentou entrar tardiamente no processo, no dia 29 de abril, com uma oferta que superou os valores da então favorita, chegando a US$ 5,3 bilhões.  

Considerado o homem mais rico do Reino Unido até 2018 – com uma fortuna de mais de 21 bilhões de libras –, Ratcliffe é presidente da empresa química INEOS, torcedor do Chelsea e proprietário dos clubes europeus Nice e Lausanne, assim como uma equipe de ciclismo e a equipe de vela da Grã-Bretanha. Em um comunicado oficial publicado pela sua empresa, o britânico apelou ao orgulho nacional: “Esta é uma oferta britânica, para um clube britânico. Acreditamos que um clube é maior do que seus proprietários, que são guardiões temporários de uma grande tradição.”

Como a oferta liderada por Boehly já estava em estágio avançado e o prazo para novas ofertas havia sido encerrado, o apelo nacional e a superioridade financeira em relação ao valor oferecido pelo empresário norte-americano não foram suficientes para evitar que a proposta de Ratcliffe fosse prontamente rejeitada pelo The Raine Group. 

Detalhes da negociação  

A proposta aceita pelo clube inglês foi realizada por um consórcio liderado por Todd Boehly, no qual o fundo de investimentos norte-americano Clearlake Capital terá a participação majoritária. O sócio de Boehly e co-proprietário dos Dodgers, Mark Walter, e o bilionário suíço Hansjorg Wyss também estão envolvidos no consórcio. 

O valor da negociação será de 2,5 bilhões de libras (US$ 3,07 bilhões), que serão enviados para uma conta congelada de Roman Abramovich no Reino Unido, sob o acordo de serem doados integralmente para institutos de caridade ucranianos, como prometido por Abramovich. A aprovação do governo do Reino Unido será necessária para que os recursos sejam transferidos para a conta bancária do antigo proprietário. 

Além disso, os novos donos se comprometem com um investimento de 1,75 bilhão de libras (US$ 2,15 bilhões) em investimentos adicionais para o time e a estrutura do Chelsea. O que inclui investimentos no tradicional estádio de Stamford Bridge, na academia do clube, nas equipes masculina e feminina e em um financiamento contínuo para a Fundação Chelsea. 

O consórcio liderado por Boehly concordou com as cláusulas de negociação, que bloqueiam o pagamento de dividendos ou taxas de administração até 2032, além de impedir os novos proprietários de vender quaisquer ações do Chelsea por dez anos. 

Quem é Todd Boehly?  

Todd Boehly é um bilionário norte-americano, com experiência em gestão de clubes esportivos. Boehly é proprietário de 20% do Los Angeles Dodgers, da MLB, e também tem participações no Los Angeles Lakers, da NBA, e no Los Angeles Sparks, da WNBA. A fortuna de Boehly é estimada em US$ 6,2 bilhões de dólares, cerca de R$ 31 bilhões. Após a aprovação da negociação, ele terá participação em três dos maiores times do mundo, segundo um levantamento anual da revista Forbes, que aponta os Lakers na 7ª posição, os Dodgers na 16ª e o Chelsea na 25ª. 

Fundador da holding norte-americana Eldridge Industries LLC, o empresário já esteve perto de ter uma experiência como proprietário de um clube de futebol antes, embora em um nível muito menor. Em dezembro de 2021, Boehly entrou em negociações para comprar o Washington Spirit, da National Women’s Soccer League (NWSL). No entanto, as negociações não chegaram a nenhum acordo.  

Além de seus interesses em equipes esportivas, Boehly também liderou um recente acordo de US$ 1,95 bilhão para transformar a empresa de ingressos Vivid Seats, com sede no estado norte-americano de Illinois, em uma empresa pública. O novo proprietário do Chelsea também é um investidor na empresa de jogos DraftKings, com sede em Massachusetts, e no provedor de dados esportivos Sportradar. 

Em uma Conferência Global do Milken Institute, na Califórnia, Boehly disse que a compra do Chelsea seguiu uma estratégia de investimento esportivo centrada na aquisição de marcas de grande escala em todo o mundo. “Eles não estão fazendo mais (times esportivos), tão implícito nisso é o valor da escassez”, afirmou Boehly. “E estamos focados nas grandes marcas. Todo o nosso objetivo é estar focado em marcas supergrandes.”