Futebol português se torna um dos destinos mais atraentes para investidores

Levantamento da Football Benchmark aponta que Portugal oferece um ambiente propício para investimentos estratégicos


Por Guilherme Calafate

30 de março de 2025

O mercado do futebol português tem se destacado como um dos destinos mais atraentes para investidores e grupos de Multi-Club Ownership (MCO), conforme apontado em um levantamento detalhado realizado pela Football Benchmark. Com um ecossistema sólido de desenvolvimento de talentos, custos relativamente baixos de aquisição e um ambiente regulatório favorável, o país se apresenta como uma excelente porta de entrada para o futebol europeu. No entanto, a crescente concorrência pode tornar mais difícil a aquisição de clubes estratégicos.

Desenvolvimento de talentos: um ponto forte do futebol português

De acordo com a Football Benchmark, Portugal é reconhecido como uma das principais potências na formação de jogadores, com academias de elite em clubes como Benfica, Sporting CP e FC Porto. Entre as temporadas 2018/19 e 2024/25, cerca de 25% das transferências para fora do país foram para as cinco principais ligas europeias, com um valor médio de €11,2 milhões por jogador. O destino mais frequente foi a LaLiga (7% do total), enquanto os clubes da Premier League pagaram, em média, os valores mais altos por atletas portugueses (€22,7 milhões).

A arrecadação total dos 18 clubes da Primeira Liga com transferências tem superado consistentemente os €400 milhões anuais, com um pico de €616 milhões em 2022/23. Entretanto, a maior parte dessa receita (70%) é concentrada nos três gigantes do país: Benfica, Porto e Sporting.

Conexões com América do Sul e África

Portugal possui laços históricos e linguísticos com países da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), incluindo Brasil, Angola e Moçambique, o que facilita a captação e integração de talentos emergentes. A Football Benchmark destaca que jogadores brasileiros representam 18% dos atletas atuando na Primeira Liga, sendo a segunda nacionalidade mais comum no campeonato.

Nacionalidades com mais jogadores representantes na liga portuguesa. Os países que falam a língua portuguesa estão marcados em verde. (Fonte: Football Benchmark)

Os clubes portugueses também desempenham um papel crucial na transição de jogadores sul-americanos para a Europa. Nos últimos sete anos, a Primeira Liga foi o destino de 13% das transferências de clubes do Brasileirão para fora do Brasil, enquanto a LaLiga Portugal 2 recebeu 4% desses atletas. Além disso, a diferença no valor médio das transferências do Brasil para Portugal (€1,5 milhão) e do Brasil para as cinco grandes ligas (€10,6 milhões) sugere uma oportunidade para investidores que buscam potencializar a valorização de jogadores dentro de uma estrutura de MCO.

Ambiente regulatório favorável

Outro fator que torna Portugal atraente para investidores é a ausência de restrições à contratação de jogadores não pertencentes à União Europeia, algo incomum nos principais campeonatos do continente. Nos últimos dois anos, os atletas não europeus representaram mais de 40% do tempo total de jogo na Primeira Liga, evidenciando essa vantagem competitiva.

Além disso, a legislação permite que clubes tenham equipes B disputando competições profissionais, desde que não atuem na mesma divisão do time principal. Isso cria uma plataforma adicional para o desenvolvimento de jovens talentos dentro do ecossistema de um MCO.

Custo relativamente baixo e potencial de crescimento

Os clubes portugueses, especialmente aqueles fora do trio Benfica-Porto-Sporting, apresentam um custo de aquisição relativamente acessível quando comparados a outras ligas europeias. O estudo da Football Benchmark indica que os times de meio de tabela da Primeira Liga registram receitas médias entre €9,6 milhões e €12,9 milhões por temporada nos últimos seis anos, enquanto os clubes da segunda divisão operam com receitas entre €2 milhões e €4 milhões.

Com a centralização dos direitos de transmissão da Primeira Liga prevista para 2027/28, espera-se um aumento na distribuição de receitas para clubes médios e pequenos, o que pode fortalecer a competitividade do campeonato e atrair mais investimentos. Além disso, a liga já garante cinco vagas para competições europeias, o que pode representar um retorno significativo para investidores que conseguirem posicionar seus clubes na disputa por essas competições.

Crescimento do investimento estrangeiro em portugal

Nos últimos anos, diversos investidores estrangeiros adquiriram participações em clubes portugueses. Entre os exemplos de MCO bem-sucedidos, Paris Saint-Germain e Aston Villa possuem participações em SC Braga e Vitória de Guimarães, respectivamente. Outras conexões incluem Atlético de Madrid com FC Famalicão, Nottingham Forest com Rio Ave, Crystal Palace e FC Augsburg com GD Estoril Praia, além de Hoffenheim com Académico de Viseu.

Recentemente, o CD Tondela foi adquirido pelo Grupo Élite, que também controla o Racing Club de Ferrol na Espanha, enquanto o FC Alverca foi comprado pelo astro do Real Madrid, Vinícius Júnior, junto a investidores espanhóis. Clubes da Primeira Liga, como Santa Clara, Casa Pia e Estrela Amadora, também receberam aportes internacionais.

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Um mercado promissor, mas cada vez mais concorrido

O levantamento da Football Benchmark aponta que Portugal oferece um ambiente propício para investimentos estratégicos, combinando um sistema de desenvolvimento de talentos altamente eficiente, baixos custos de aquisição e um ambiente regulatório favorável. A centralização dos direitos de TV e o crescimento das receitas das competições europeias reforçam o potencial de valorização dos clubes no longo prazo.

No entanto, o interesse crescente no mercado português pode aumentar a concorrência entre investidores, tornando mais difícil a aquisição de clubes promissores. Para obter sucesso, investidores devem definir estratégias claras, entender a estrutura jurídica dos clubes (SAD ou SDUQ) e se posicionar de forma inteligente dentro do ecossistema do futebol português.

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