A parte da manhã no Congresso Olímpico Brasileiro, neste sábado, em São Paulo, teve palestras e mesas redondas dedicadas aos diferentes modelos de gestão esportiva, as melhores estratégias de treinamento e as técnicas indispensáveis para exercer uma liderança sobre atletas. Destinado a gestores, treinadores e profissionais da ciência do esporte, o evento celebra também os 10 anos do Instituto Olímpico Brasileiro (IOB), Departamento de Educação do COB.

Após a abertura oficial do evento, com o presidente do Comitê Olímpico do Brasil, Paulo Wanderley, os participantes se dividiram em três espaços para acompanhar as palestras de referências do esporte mundial, conforme suas áreas de interesse: Gestão, Treinador e Ciência do Esporte.

Sistema Organizacional do Esporte

No palco sobre Gestão, a Diretora de Performance da Agência de Esportes do Reino Unido (UK Sport), Chelsea Warr, e o Diretor de Alta Performance do Comitê Olímpico da Holanda, Maurits Hendriks, transmitiram seus conhecimentos sobre o Sistema Organizacional do Esporte em uma mesa-redonda mediada pelo Diretor de Esportes do COB, Jorge Bichara.

“Não realizamos um trabalho muito popular, pois precisamos de investimento a longo prazo. O segredo é saber como aplicar os recursos de forma inteligente e desenvolver estratégias que nos levem aos melhores resultados”, revelou Chelsea, que atua na UK Sport desde 2005 e participou diretamente do surgimento de grandes atletas britânicos, como Helen Glover (bicampeã olímpica de remo) e Tom Daley (campeão mundial de saltos ornamentais aos 15 anos).

Cultura de cada país

Já Hendriks destacou que cada país tem a sua própria cultura. E que é preciso ver o que melhor se adapta para cada sistema.

“Mas é certo que não se pode criar um sistema esportivo se não houver um trabalho em conjunto, com clubes e federações. É um campo de trabalho muito complexo, onde começamos atuando junto a crianças talentosas e vamos até as organizações internacionais”, completou Hendriks, que foi responsável pelo domínio da Holanda na patinação de velocidade em Sochi 2014, quando o país conquistou 23 das 36 medalhas possíveis.

Bernardinho fala para treinadores

Paralelamente à mesa redonda, em plenárias ao lado, Chris O’Brien, Vice-diretor de Performance do Instituto Australiano de Esportes (AIS), e Bernardinho, ex-técnico das seleções feminina e masculina de vôlei, compartilharam suas experiências sobre como solucionar problemas de equipes e manter a motivação de atletas multicampeões. O’Brien enfatizou questões técnicas, enquanto Bernardinho falou sobre sua especialidade: a liderança.

“Mais difícil do que ganhar é se manter no topo. Após o sucesso, é normal detectarmos certos tipos de comportamento. No meu caso, quando vi que aquela geração talentosa alcançou o topo mundial, precisei trocar alguns jogadores, por exemplo”, afirmou Bernardinho.

As atividades da manhã ainda contaram com palestras de Aaron Coutts, professor de Esportes e Ciência do Exercício na Universidade de Tecnologia de Sidney (UTS), e Roberto Nahon, Coordenador de Ações Médicas do COB. Enquanto o primeiro apresentou técnicas e métodos para monitorar as cargas de treino, como a taxa de esforço percebido, o segundo abordou a saúde no esporte de alto rendimento, apresentando parte do trabalho desenvolvido com o Time Brasil.