A venda do Boston Celtics por um recorde de US$ 6,1 bilhões para um grupo liderado pelo executivo de private equity William Chisholm estabelece um novo patamar para o mercado de franquias esportivas e pode acelerar os planos de expansão da NBA. O acordo, que supera a venda do Washington Commanders (NFL) por US$ 6,05 bilhões em 2023, destaca a escassez de ativos esportivos de elite e o apetite crescente de investidores de alto poder aquisitivo por times de prestígio.
O impacto da venda no mercado esportivo
O Celtics é uma das franquias mais emblemáticas da NBA, com 17 títulos e uma história que remonta à fundação da liga. Apesar do valor recorde pago por Chisholm e seus parceiros, alguns analistas consideram que a aquisição pode representar um “overpay” devido às limitações da franquia. O TD Garden, onde a equipe manda seus jogos, é propriedade da Delaware North, também dona do Boston Bruins (NHL), e o Celtics possui apenas uma participação minoritária na NBC Sports Boston, sua principal parceira de transmissão regional.
Por outro lado, a negociação é impulsionada pela previsão de receitas crescentes da NBA, que recentemente fechou contratos de transmissão no valor de US$ 77 bilhões com Amazon, ESPN e NBC Sports. O aumento das avaliações também pode incentivar outros proprietários a considerar a venda de suas franquias, bem como impulsionar o valor das taxas de expansão da liga.
O papel do Sixth Street e a ascensão do private equity no esporte
Um dos destaques da compra é a participação do Sixth Street, fundo de private equity que investiu cerca de US$ 1 bilhão no Celtics. A firma, que também detém participações no San Francisco Giants (MLB), no Real Madrid e no Barcelona, está consolidando sua presença no setor esportivo global. Embora investidores institucionais sejam limitados a uma participação de 15% em times da NBA, a presença do Sixth Street no acordo evidencia o crescente interesse do capital privado em equipes esportivas.
A estratégia do Sixth Street é baseada na valorização dos times como marcas globais, aproveitando mudanças no consumo de mídia e no entretenimento. O fundo também tem explorado oportunidades imóbiliárias em seus investimentos, como a renovação do Santiago Bernabéu em parceria com o Real Madrid. No entanto, no caso do Celtics, essa estratégia pode ser limitada pela falta de propriedade sobre sua arena e centro de treinamentos.
O efeito na expansão da NBA
A transação do Celtics também pode acelerar os planos de expansão da NBA. O comissário Adam Silver já afirmou que a liga está avaliando internamente a possibilidade de adicionar novas equipes, com Seattle e Las Vegas como as cidades mais cotadas. O recorde estabelecido pela venda do Celtics servirá como referência para determinar o valor das taxas de expansão, que podem ultrapassar os US$ 5 bilhões por nova franquia.

A NBA segue o modelo de outras ligas que expandiram recentemente, como a NHL, que adicionou os Vegas Golden Knights (US$ 500 milhões) e o Seattle Kraken (US$ 650 milhões), e a MLS, que viu o San Diego FC pagar US$ 500 milhões para entrar na liga. Diferentemente dessas ligas, no entanto, os valores de expansão da NBA serão significativamente mais altos, refletindo o crescimento da liga e o apetite de investidores por uma participação no basquete profissional.
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Desafios e próximos passos
Apesar do recorde, o modelo da transação do Celtics levanta questionamentos. A aquisição será realizada em duas etapas, com Chisholm adquirindo 51% da franquia agora e o restante até 2028, a um valor projetado de US$ 7 bilhões. Wyc Grousbeck permanecerá no controle da equipe até o fim da temporada 2027-28, antes de transferir a governança da franquia. O modelo de pagamento escalonado e as incertezas sobre o financiamento completo da compra geram preocupações sobre o impacto na capacidade competitiva do time nos próximos anos.
Steve Pagliuca, um dos atuais investidores do Celtics e que também apresentou uma oferta pelo time, questionou os termos da negociação. Em um comunicado, afirmou que sua proposta era “totalmente garantida e financiada, sem dívida ou dinheiro de private equity que potencialmente prejudicaria a capacidade da equipe de competir no futuro”. Ele também deixou aberta a possibilidade de retornar ao processo caso o acordo com Chisholm não se concretize.
A venda do Boston Celtics é um marco no mercado esportivo global, reafirmando a valorização das franquias da NBA e impulsionando o debate sobre a expansão da liga. No entanto, desafios estruturais, como a falta de propriedade sobre sua arena e as incertezas sobre o modelo de aquisição, ainda precisam ser superados para que o investimento de Chisholm e do Sixth Street seja de fato um sucesso.