Notas

Por que a CAF tirou o título da Copa Africana das Nações de Senegal

Por Felipe Lobo 20/03/2026 | 08h00
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Patrice Motsepe, presidente da CAF

Foto: CAF

 

A Confederação Africana de Futebol (CAF) cancelou o título da Copa Africana das Nações de 2025 de Senegal e o entregou para Marrocos, que havia sido derrotado em campo. A decisão ainda será questionada na Corte Arbitral do Esporte (CAS).

 

A confusão aconteceu quando foi marcado um pênalti controverso para Marrocos, em partida disputada na cidade de Rabat, no próprio Marrocos. O jogo estava 0 a 0.

 

Revoltados, os senegaleses abandonaram o gramado por orientação do técnico Pape Thiaw. Foram 16 minutos de paralisação, até que o capitão Sadio Mané ajudou a levar os companheiros de volta ao gramado. O pênalti foi desperdiçado por Marrocos.

 

A partida seguiu para a prorrogação, e então Senegal marcou o gol que decidiria a partida e o título. Com 1 a 0 no placar, a disputa parecia estar resolvida.

 

Agora, a CAF se baseia no artigo 84 do regulamento da competição para alterar o resultado do campo. De acordo com o texto, abandonar o campo sem autorização acarreta o WO (walkover) como punição, com 3 a 0 atribuídos ao time adversário.

 

Andrei Kampff, jornalista especializado em direito esportivo, escreveu no UOL que Senegal deu brecha à punição, ao descumprir a regra, ainda que temporariamente.

 

— A questão legal chave é se uma saída de campo temporária, seguida de retomada, pode acarretar derrota e eliminação automáticas. Diferentes interpretações são possíveis: uma leitura estritamente textual pode sustentar a decisão; uma leitura sistemática e teleológica pode não a sustentar — ponderou Georgi Gradev, fundador da SILA International Layers, no LinkedIn, em trecho reproduzido pelo The Athletic.

O caso logo deve chegar à Corte Arbitral do Esporte (CAS), em Lausanne, na Suíça.

 

Senegal trata o assunto como questão de Estado. O governo senegalês acusou a CAF de corrupção, inclusive. O técnico da seleção levou o troféu para uma base militar.

 

Já o presidente da confederação, o sul-africano Patrice Motsepe, respaldou a decisão de tirar o título dos senegaleses, tomada pelo Comitê de Apelações da CAF.

— Eu expressei meu extremo desapontamento com os incidentes na final. Eles minam o bom trabalho que a CAF tem feito ao longo de muitos anos para garantir que haja integridade, respeito, ética, governança, assim como credibilidade para os resultados dos jogos de futebol — disse o cartola em vídeo publicado pela entidade.

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