
RedBird é acionista majoritária e administradora do Milan, na Itália. (Foto: AC Milan)
LaLiga, Paramount, Milan. O que esses três negócios têm em comum? Todos receberam investimentos de fundos de private equity e venture capital. City Football Group, McLaren e WSL também. Em diferentes modalidades esportivas, o esporte se tornou uma classe de ativo para o mercado financeiro.
Nos Estados Unidos, o processo está mais consolidado. Franquias de NFL, NBA, MLB e NHL, entre outras ligas menores, permitem investidores institucionais no seu captable (quadro de sócios). Fundos como KKR, Ares Management e RedBird somam mais de US$ 20 bilhões em AuM (assets under management, ou ativos sob gestão).
O movimento é global, no entanto.
No Brasil, o catalisador foi a Lei da SAF, que basicamente incentiva os clubes de futebol a se tornarem empresas. Ao organizar a estrutura societária não mais como associação civil sem fins lucrativos, a entidade se abre para investimentos de acionistas, saneamento de dívidas, distribuição de lucros.
É evidente que o futebol se tornou uma classe de ativo, inclusive no mercado brasileiro. A XP auxiliou na estruturação da FFU e na intermediação das vendas de clubes, como Botafogo e Cruzeiro. A Treecorp, fundo de private equity, comprou o Coritiba. O BTG trabalhou para a SAF do Atlético-MG.
É claro que o investidor brasileiro olha com desconfiança, pois há muito ruído, mas o esporte reúne atributos raros no universo de ativos financeiros:
Quando bem estruturado, o capital agrega profissionalização, governança e eficiência operacional. Mas impõe um dilema: como equilibrar retorno financeiro com a preservação da identidade que deu origem ao valor do ativo? O capital por si só não garante sucesso, é preciso estratégia, coerência e alinhamento.
Estou no esporte desde 2004. A primeira vez que vi tantas oportunidades ocorreu entre 2012 e 2016, com a realização da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos no Brasil. Agora se abre uma nova janela para transformações estruturais no esporte brasileiro, mesmo que elas ocorram de fora para dentro.
*Rafael Pedreira é managing director da Quartam Sports Capital, braço de investimentos da SISU Ventures.