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Grafietti abre o jogo sobre experiência de gerir clube de futebol em Portugal

Por Rodrigo Capelo 20/03/2026 | 10h23
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Cesar Grafietti trocou a vida de estilingue pela de vidraça. A definição é dele mesmo. Analista financeiro de clubes de futebol, com relevante exposição na mídia ao longo dos últimos 15 anos, ele comprou uma SAD em Portugal com os sócios Roque Júnior e Rodolfo Kussarev. Lá, a tarefa dele não era analisar a gestão, mas praticá-la.


O Anadia está na terceira divisão portuguesa, nível no qual se pratica futebol semiprofissional. Há atletas amadores, que se dividem entre outros empregos, e há profissionais, que recebem para jogar e constituem valor enquanto ativos.

O trio quis marcar presença em Portugal por alguns motivos. Um deles, meio óbvio, é a facilidade que o mercado português tem para intermediar a exportação de sul-americanos para a Europa. Um brasileiro tem mais chances de se adaptar à vida no Velho Continente se encarar a cultura, o clima e a língua de uma nação mais próxima.


Outra razão está na organização do futebol português. Há um sistema de fair play financeiro implementado há anos, e a liga gere primeira e segunda divisões com atuação coletiva — embora os direitos de transmissão ainda não sejam centralizados, mudança prevista para 2028. Fatores convidativos para investidores de menor porte.


Adquirido em 2023, o Anadia foi reestruturado e recebeu investimentos em futebol, e não subiu para a segunda divisão. O planejamento inicial era chegar à elite em dez anos, mas a proposta mudou. Em 2025, Grafietti, Roque e Kussarev tomaram a decisão de revender o clube para o pool de investidores que financiara a operação.


— Tudo isso que a gente fala aqui fora, questiona, reclama, quando você vai para dentro tomar as decisões, é a mesma coisa? Você percebe o quão difícil é fazer futebol — relata Grafietti em entrevista ao videocast do Sport Insider.


O consultor e gestor esportivo fala da experiência de administrar um clube de futebol em Portugal, já encerrada, e dos planos de investir agora no mercado brasileiro, possivelmente em uma SAF. O trio chegou a negociar a compra do São Bento, mas desistiu da operação em dezembro passado e segue monitorando oportunidades.

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