Funcionária do Corinthians acusa segurança de assédio sexual e diretoria de omissão

Por Livia Camillo 18/03/2026 | 11h00
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Parque São Jorge

Foto: José Manoel Idalgo/Agência Corinthians

 

Uma funcionária do Corinthians afirma ter sido vítima de assédio sexual e moral. A denúncia foi apresentada contra um segurança do Parque São Jorge. Segundo o relato da mulher, que chefia a área de controle de acesso no período noturno, ela foi alvo de importunação sexual por David Prado Nunes, que trabalha no mesmo setor.

 

Em boletim de ocorrência registrado no 52º Distrito Policial em 28 de fevereiro, a mulher descreve que Nunes forçou contato físico e beijos, sem o consentimento dela, em duas ocasiões distintas. O caso ocorreu entre o fim de 2025 e o começo de 2026.

 

O acusado foi procurado pela reportagem, por meio do Corinthians e com mensagem no perfil dele, em uma rede social, mas ele não respondeu até esta publicação.

 

O Corinthians diz que abriu “sindicância interna para apuração rigorosa dos fatos.”

 

Após o registro do boletim de ocorrência, a Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar a denúncia. A informação foi confirmada ao Sport Insider pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP).

 

— O caso citado é investigado por meio de inquérito policial no 52º Distrito Policial (Parque São Jorge). Diligências estão em andamento para o total esclarecimento dos fatos” — escreveu o órgão público em nota à reportagem.

 

Vítima acusa omissão do Corinthians
A advogada da mulher, Camila Gonsalez, afirma em entrevista exclusiva que, além do assédio sexual, a funcionária corintiana foi alvo de perseguição profissional e acusações prejudiciais à honra dela pelo acusado — o que, segundo a advogada, configuraria um quadro de intimidação sistemática e assédio moral no ambiente de trabalho.

 

A denúncia também aponta a suposta omissão da cúpula do Corinthians.

 

Em notificação extrajudicial enviada ao departamento jurídico do clube, em 5 de março, e compartilhada com a reportagem, a colaboradora diz que buscou o setor de Recursos Humanos para relatar os crimes de Nunes, mas a área teria se recusado a registrar os fatos ou tomar providências, em postura classificada por ela como “desincentivo” à denúncia.

 

— Disseram abertamente que o canal de denúncia é meramente institucional e que a queixa dela seria apenas “mais uma em um milhão”, sem qualquer garantia de que seria efetivamente apurada ou respondida — relata Gonsalez à reportagem.

 

A advogada citou nominalmente Fábio Soares, diretor administrativo do Corinthians, e o acusou de atuar na proteção de David. De acordo com ela, o dirigente manteve uma postura de condescendência diante das denúncias apresentadas internamente.

 

Soares também foi procurado pelo Sport Insider para se manifestar, por meio do Corinthians e com mensagem ao celular dele, mas não retornou os contatos.

 

Na notificação extrajudicial, a vítima pede que medidas administrativas e legais sejam adotadas com urgência, para apurar a responsabilidade tanto do acusado pelo assédio quanto dos gestores citados por “atitudes omissivas”.

 

Procurado para se posicionar em relação a essa alegação, o Corinthians afirma em nota que “disponibiliza aos seus funcionários um canal direto e seguro para o registro de denúncias relacionadas a qualquer tipo de assédio, discriminação ou conduta inadequada no ambiente de trabalho.”

 

— Ao tomar conhecimento do caso mencionado, foi instaurada uma sindicância interna para a apuração rigorosa dos fatos. O Corinthians reforça que trata com absoluta seriedade qualquer relato dessa natureza e que todas as ocorrências são analisadas com responsabilidade, garantindo o devido processo de investigação — conclui.

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